22/04/2009

Congestionamento do coração


A ponta dos dedos não é capaz de descrever a dor que teima viver no coração e, sei que por mais pedaços teus sinta serem arrancados, nada mais completará o vazio que tristemente deixas em mim. Escrever é levar as mãos ao peito e encaixá-las nesta dor que perfura partículas de um sentimento que ganha asas e voa para um lugar distante do meu. Talvez voes perdido nos ares; talvez voes até encontrares o mesmo trilho que te trouxe até aqui. A tua rota pode não ser comigo, mas julgo não ser longe de mim. E por mais pedaços que arranques em mim o passado não me deixa fechar-te a porta, tento, mas ainda tens a chave. Tento sorrir, mas o coração continua a bater frágil e páro para ganhar coragem de ver outras nuvens onde possa proteger as fragilidades que não desaparecem. De cada vez que teimas espreitar rendo-me a este amor, porque quando vais o pensamento organiza-se, mas quando vens desarrumas a gaveta das (in)certezas.
Enquanto as asas servirem de acessório a tesoura nunca cortará este fio se atravessa ao meio.

21/04/2009

Vazio Desenterrado

Já não és um vazio que se cavou na minha alma. Com o tempo a distância uniu-nos, com a tua indiferença tudo nos separou. Quando as paredes cairam à minha volta duas forças me abraçaram e percebi que quando uma uma onda se desfaz existe outra capaz de viver. Foste uma onda que morreu por demasiado tempo, deixaste para trás um aquário de esperanças vivas e apenas deixaste viver um pensamento que deste por certo e inquestionável. Mas desta vez percebi que as tuas mãos já não se alinham neste círculo onde vejo por fim que as palavras, até essas acabaram por morrer. Incapazes de magoar, porque antes delas sei que habitou a saudade e deixamos que tudo crescesse á velocidade de uma perda. Ter-te-ás perdido?

[Tenho pena que não leias nos olhos estas palavras, mas afinal, já nada nesse caminho passa por esta estrada.]

20/04/2009

Selinho



1.Escrever uma frase, citar um título ou contar uma historinha sobre seis assuntos nos seguintes segmentos:

VIDA: É uma dávida demasiado grande para ser desperdiçada.
CINEMA: Um vício saudável.
LITERATURA: Uma arte que envolve.
VIAGEM: "Viajei por mais terras do que aquelas que toquei."
AMOR: "O amor é uma força selvagem. Quando tentamos controlá-lo, ele destrói-nos. Quando tentamos aprisiona-lo, ele escraviza-nos. Quando tentamos entendê-lo, ele deixa-nos perdidos e confusos."
SEXO: União física.

2.Convidar seis colegas de blogs que você realmente considere femininas e inteligentes;

http://luisajsantos.blogspot.com/
http://velasardemsempreateaofim.blogspot.com/
http://ecosreflexivos.blogspot.com/
http://a-smile-that-explodes.blogspot.com/
http://maosvazias.blogspot.com/
http://cenariosss.blogspot.com/

3.Linkar o blog que a convidou;
http://www.vozesdemim.blogspot.com/

4.Postar as regras para que outros as repassem;

5.Inserir o selinho que você recebeu do Papo Calcinha.

27/01/2009

Se eu fosse uma estrela...

O importante não é distinguir-me por aquilo que todos os olhos à minha volta veêm em mim, mas sim brilhar continuamente, não pelo que aparento ser, mas pelo que realmente sou.
Se eu fosse uma estrela, não teria de brilhar apenas à noite; As estrelas são sempre guias, são sempre as coordenadas de alguém, então que assim o fosse, bússula para muitos que andam perdidos, para aqueles que caminham de olhos vendados, para os que procuram e não encontram, para os vivem na solidão, para quem falta luz...
Não importava ser grande ou pequena, bastava ser um rumo a seguir... Que estrelas, já eu tenho muitas!

20/01/2009

Presença


Como os dias se contam pelos dedos... Lembro-me que todos os ontem são imagens bem focadas que guardo e, friso a tua presença na minha vida; Mais uma vez é essa mesma presença que aínda hoje não se desvanece. O tempo corre e deixo a negrito que agarramos os todos os momentos. Tudo não passa de uma linha contínua, à medida que estes fios de vida se vão desenrolando vou dizendo a cada ano que passa, com um sorriso orgulhoso, que crescemos ao lado uma da outra.
18.01.09 - Guardo esse abraço e sussuro-te um "gosto muito de ti". Sei que posso ir com mais um sorriso...
Que este seja um ano de vitórias e sorrisos, minha Puccanina. <3

17/01/2009

O Trabalho do Silêncio

Para sermos capazes de nos dedicarmos a umas coisas, é necessário desligarmo-nos de outras.
Não sei se deva prestar mais atenção às palavras, pintá-las à medida de cada dia, já que o silêncio muitas vezes se faz ouvir. É dele que, hoje, quero falar. Sim, o silêncio também se ouve, consegue ser mais forte que as palavras, "também é texto". Quando nos apercebemos da falta existencial das mesmas, recorremos a esse grito. Creio que, na verdade, não faltem palavras, o que mais falta são silêncios. Todas as vidas são torturadas de palavras, estas que usamos e pronunciamos de diversas formas; Nem todas as que gostamos de ouvir são as melhores, outras saem-nos da boca e acertam-nos cá dentro como balas, existem as desnecessárias, a compisão das aparentemente bonitas... O que não falta são ruídos de fundo. Porém, não consigo escutar o silêncio senão aquele que, por vezes, se apodera de mim. É muito mais forte que todos os diálogos ou monólogos. E quantos se atrevem a escutá-lo? Estamos demasiadamente habituados a este nível crescente de poluição, esquecemo-nos constantemente de aprender a pronunciar palavras mudas, saber usar e escutá-las.

Quando precisas de organizar as ideias fá-lo no silêncio da noite.
Quando te dói a cabeça aquilo que mais dispensas é o barulho.
Quando estás tão habituado às palavras mesmo que feias e cruéis a resposta que mais te custará aceitar é o silêncio.
E é ele que melhor fala quando "tudo o resto é palha que serve para manter o cavalo de pé".

"Vivemos numa era onde há horror ao silêncio, como tal não podemos, nem nos deixam, apreciar a sua beleza".

05/01/2009

Alucinações

Nada de encontros em que os ponteiros de dois relógios se cruzam, fica a crença de um sentimento agarrado por um nó de gestos unidos pelo destino. Irremediavelmente esta linha de uma estrada silenciosa prende-me e leva-me ao encontro do teu caminho. Apagam-se as luzes ofuscas pela gula da minha sublime vontade de te possuir, dando somente espaço para mais este pedaço de matéria atenuante de uma construção. Mais uma vez te tornas a imagem persistente do meu ego...

02/01/2009

2009

Faltam-me nos dedos a capacidade de ler a alma.
Antes de mais, é de frisar que este blog já existe há um ano; Ao longo dele um percuso de vida preenchido de emoções, um trilho que se corre com o virar de muitas curvas, reflexos de todo um ano já vivido.
Todo este aproximar de um novo ano remete-nos para uma introspecção na qual, obrigatoriamente, sou forçada a olhar para trás e reconhecer todos os podres de uma vida e com os mesmos acreditar que no virar dos próximos dias me tornarei alguém melhor. Foi um ano de conquistas e vitórias, um (d)embrulhar de sentimentos e experiências únicas. Se hoje estou aqui, não cheguei ao destino sozinha, mas com a presença daqueles que me acompanharam até então.
Passagem de ano memorável! Não importa o sítio, as horas, quantos copos... Nada mais imprescindível que a companhia. Obrigada a todos por vos ter a meu lado (e não faço referâncias ou descrições já que cada um sabe o espaço que me preenche de mim).
E é assim que se (re)começa, mais um ano, mais dias e momentos inesquecíveis.
O passado, esse que davamos por certo e inquestionável, já não sei em que virar da esquina se perdeu... Dado por certo, tenho eu, tudo ao meu lado.
Que este seja um ano recheado de capítulos melhores, sorrisos e força.

31/12/2008

Experiência Existencial

Quando perdemos a luz daquela estrela que sempre nos sorriu desse lugar inalcançável, existe uma capacidade de que muito cedo fomos dotados: Sonhar. São guias. Sei que aí, talvez, aínda sejamos capazes de rasgar a melancolia dos espelhos. Na ânsia ou mesmo na obrigação de viver, a vida corre-nos entre os dedos, então percebemos que o tempo roda na sua incapacidade de parar. Um dia, somos confrontados com uma outra visão, abre-se a metade de uma porta e deparamo-nos, não com os olhos de quem vê, mas de quem sente, com um rosto marcado pelo tempo. Gostaria de fugir a estas visões que me acordam o pensamento para pequenas coisas às quais antes não era necessário um alerta. A vida é um ciclo imparável, imbatível. Hoje, sou confrontada com os teus cabelos brancos já maiores, e relembro que antes os mantinhas sempre curtos porque te vias na possibilidade de mostrar a força nos teus movimentos, e aínda assim continuas com esse espiríto vencedor. Tomaram muitos que vivem possuir essa força, eu própria gostaria de a ter. Se calhar corre-te no sangue ou foi toda essa experiência existencial. Mais um dia, mais um fio de vida para dar avidez aos sentidos...

21/12/2008

Na poeira do pensamento


Profeças as palavras sem que eu seja capaz de as ver num olhar e não passam disso mesmo: Palavras. Arrastam-se com o vento e também tu ao sabor delas; Talvez não andes perdida, fui eu quem te perdeu. E tudo na vida, os meus fracaços e conquistas, as linhas anteriores, me fazem, inevitavelmente, questionar em que rua ficaste. Serei eu que segui sem te esperar? Ou terás sido tu que seguiste um rumo diferente e do qual já não faço parte? Já não sei distinguir se é esta mágoa ou dor que aumentam ou se já não passam somente de uma quase indiferença a essa tua ausência. Desculpa estas palavram arranham, mas tal como as tuas não passam dessa qualidade de letras. Não faço contas ao tempo, vivo vendo-o passar indo tu arrastada por ele. Não sou capaz de ver essa tua vontade de voltar a criar um laço afectivo, não vejo uma capacidade de falares no assunto, nenhuma tentativa de vir ao meu encontro e tocar nesse mesmo pedaço que me levou a escrever este texto. Será que sentes a minha falta? Se quiseres voltas onde sempre pertenceste... Tempo é o mais existe no mundo.